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São Paulo, 07/08/2008 - n. 30

Colabore com a restauração da Academia Paulista de Letras: um pedaço da história e da cultura de São Paulo

O desembargador José Renato Nalini, presidente da APL, pede a colaboração dos notários e registradores paulistas.

O desembargador José Renato Nalini, ex-juiz da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, ocupa a cadeira 40 da Academia Paulista de Letras ao lado de outros grandes juristas como – José Cretella Jr., Miguel Reale Jr., Ada Pellegrini Grinover, Ives Gandra da Silva Martins e Tércio Sampaio Ferraz, entre outros –, bem como de expressivos nomes da literatura brasileira como Lygia Fagundes Telles, Paulo Bomfim, Ignácio de Loyola Brandão e Ruth Rocha.

Na condição de presidente da APL, o desembargador dirigiu à presidenta da Anoreg/SP, Patricia Ferraz, carta datada de 10 de julho de 2008, para comunicar que a sede da instituição precisa ser restaurada e para solicitar a colaboração de notários e registradores paulistas nessa iniciativa “de relevante interesse para a cultura e para a História de São Paulo”.

Na carta, o presidente explica que a Academia Paulista de Letras obteve aprovação do Ministério da Cultura para os benefícios da Lei Rouanet, o que permite que os contribuintes do IR possam abater de sua tributação parte da quantia doada.

Captação de recursos deve ser imediata

De acordo com a Lei Rouanet, a Academia Paulista de Letras tem apenas seis meses para captar recursos para seu projeto. Por isso é importante que as contribuições sejam feitas o quanto antes.

“A preservação da Casa da Cultura por excelência de todo o povo paulista é um dever de todos nós, notários e registradores de São Paulo, que prestamos um serviço público e que devotamos especial apreço às raízes culturais da nossa terra. Tenho certeza de que nossos associados saberão responder a um pedido tão meritório do desembargador José Renato Nalini”, declarou a presidenta Patricia Ferraz.

Dados para o depósito

Atenção: os depósitos devem ser comunicados à Academia Paulista de Letras, uma vez que o controle dos recursos é feito mediante prestação de contas ao Ministério da Cultura.

Banco E-mail Telefone/fax
Banco Santander
Agência 0145
Conta 13-002533-9
acadsp@terra.com.br (11) 3331-7222 / 3331-7401

APL completa 100 anos de história da cultura paulista

A APL completa seu primeiro centenário no próximo ano; foi inaugurada no dia 27 de novembro de 1909, no palacete do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, na rua de São João, fruto do esforço e dedicação do médico e polígrafo carioca radicado no interior de São Paulo, Joaquim José de Carvalho. Seu discurso na sessão inaugural dizia:

“(...) aqui se acham a jurisprudência, a economia política, a medicina... a teologia dogmática ao lado da reforma, do livre pensamento e do positivismo, a biologia, a filosofia, a interpretação dos fenômenos ocultos, a engenharia prática, a matemática, a cosmografia, a filologia, a lingüística, o beletrismo, a poesia, a arte dramática, a música, o jornalismo, o parlamentarismo, todas as atividades operosas da inteligência humana, todas as opiniões... crenças por seus lídimos representantes, sem distinção de sexo, sem partidarismo, sem exclusão alguma, em mescla conveniente e simpática, em um convívio que queremos há de ser harmonioso... pois Pro Litteris Scientiisque Laboramus!”

Depois da perda de seu fundador e incentivador a APL enfrentou grandes dificuldades. No entanto, mesmo sem sede própria, conseguiu sobreviver graças à perseverança de Ulisses Paranhos, seu secretário-geral desde 1909. 

Em 1948, foi lançada a pedra fundamental do edifício-sede da Academia, que hoje se quer preservar, no tradicional Largo do Arouche, e a obra foi finalizada em 1955.

A biblioteca da Academia Paulista de Letras tem cerca de 50 mil livros, 12 mil periódicos e 900 manuscritos. Está em fase de conclusão o projeto de informatização que vai permitir o acesso ao acervo pelos interessados.

Eglantina: emblema da APL é a rosa de cinco pétalas – “última flor do Lácio”

Eglantina: emblema da APL é a rosa de cinco pétalas – “última flor do Lácio”

“O emblema da Academia, bem como o distintivo e o ex-libris, foram solicitados pelo presidente Alcântara Machado e idealizados pelo artista José Wasth Rodrigues (1891-1957), que se notabilizou por inúmeros trabalhos artísticos ligados à história do país e à heráldica, sendo de sua confecção o brasão do Estado de São Paulo, instituído em 1932 pelo governo constitucionalista.

José Wasth Rodrigues encaminhou sua proposta à Academia Paulista de Letras em 18 de fevereiro de 1939, com as seguintes observações: A criação de um emblema para a Academia Paulista de Letras, tendo como divisa o verso de Bilac: Última flor do Lácio..., referindo-se o poeta à língua portuguesa para lembrar a sua origem latina, realiza-se de maneira satisfatória pela representação da rosa clássica que se encontra nos ábacos dos capitéis ou nos tetos das cornijas antigas, por satisfazer ela a necessidade de uma simbolização ampla e elevada.

Esta mesma rosa figura na heráldica sob o aspecto de uma flor de cinco pétalas, estilização da rosa silvestre ou eglantina. Não pode ter outra forma senão a que eu represento, pois, diz Santos Ferreira, no Armorial Português, que a rosa heráldica tem cinco pétalas, uma das quais voltada para o chefe do escudo, e cinco pontas nos intervalos das pétalas. Difere do quinqüefólio em ter as pétalas arredondadas e ao centro um olho ou botão que pode ser do esmalte da flor ou de qualquer outro.

A mesma definição vem em Ghenzi, que diz: Rose, églantine avec ses cinq feuilles, entre lesquel es apparaissent les sépales. A. Tailhades, o grande mestre da heráldica chama a atenção para que toute fleur regulièrement inscrite dans un cercle est composée de parties semblables gironnantes et poséesde façon à ce qu une de ces parties soit toujours au sommet de cette figure.

A sua substituição, por uma outra flor qualquer, regional, iria prejudicar e deturpar consideravelmente o sentido do lema adotado. Seria possível tal coisa se o lema fosse outro, ou se quiséssemos fazer alusão a uma língua regional ou ameríndia. Por todas estas razões, que apresento, creio que a última flor do Lácio não poderá ser melhor representada do que da maneira que o fiz, isto é, dentro dos moldes latinos e de acordo com a ciência abstrata e elevada por excelência, que é a heráldica” (1).

(1) Esboços e estudos preliminares de José Wasth Rodrigues, de que resultou o emblema da Última Flor do Lácio, representado acima, na ordem em que nos concedeu o artista. (Revista da Academia Paulista de Letras, Ano XXXIV, no. 89. março de 1977, documento existente no acervo da Academia Paulista de Letras).

(Fonte: Academia Paulista de Letras)

 

   


  

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