Boletim
Anoreg/SP
on-line - São Paulo,
02/12/2008 - n. 71
ANOREG/SP está corretamente sintonizada com o momento em que as autoridades se voltam para a questão da regularização fundiária
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Segundo o registrador, Ubatuba tem muita ocupação irregular e grandes dificuldades. “Desde que assumi o Registro de Imóveis foi preciso bloquear diversas matrículas que vinham registrando frações ideais.”
“Não há possibilidade de regularização sem a colaboração da Administração municipal, que é lenta por falta de recursos. Contamos com algum apoio do Ministério Público, que criou uma promotoria especializada na área. Estive com o promotor designado algumas vezes e avançamos um pouco. Mesmo assim, até agora só um caso está chegando a termo. Trata-se de uma invasão antiga, de 30 ou 40 anos atrás, de área localizada na cabeceira do aeroporto e à beira de um rio. Os barracos jogavam o esgoto diretamente no rio. Naquele pedaço já se conseguiu tirar todas as famílias, a prefeitura está construindo blocos de prédios para recolocá-las e já providenciou a matrícula da gleba, fez o processo todo com a planta dos lotes, cadastrou os ocupantes numa atuação conjunta com o Ministério Público. O processo veio para mim, eu me manifestei favoravelmente à regularização, e agora ele está na corregedoria.”
“Eu tenho participado de reuniões com a prefeitura, Sabesp, Elektro, Cetesb, DPRN, Bombeiros, enfim, com os diversos órgão envolvidos na regularização. No entanto, a atuação de cada órgão isoladamente é muito limitada. A iniciativa mais efetiva seria a da Administração municipal, mas eles esbarram em problemas políticos e financeiros. Regularizar significa tirar pessoas que estão em áreas de preservação permanente, beiras de rios e encostas e levá-las para um local urbanizado – com água, luz, esgoto – e isso depende de recursos que às vezes o município não tem.”
Boteon entende que a troca de experiências vai ilustrar e facilitar a vida de todos os registradores envolvidos com regularização fundiária. “Cada caso é diferente. Há ocupações irregulares porque o titular do domínio, o dono da gleba, o loteador, não legalizou. Esse é um tipo de procedimento. Em Ubatuba, temos dois loteamentos bem no centro da cidade, totalmente urbanizados, com casas de alto padrão, tudo irregular. Cada dono de lote pede e obtém a declaração de usucapião e consegue a matrícula, mas isso não resolve o problema de irregularidade do loteamento. Há também o caso do terreno de mera ocupação, que Ubatuba tem bastante. O posseiro faz uma planta, parcela uma área toda em retalhos e vende, mas ele não é o dono do terreno, não tem título de propriedade. Isso é mais complicado, somente o município para regularizar. O Estado tem várias ações discriminatórias tentando regularizar isso, mas há processos com oito ou dez anos que ainda nem completaram a citação dos ocupantes. E ainda temos algumas ocupações em áreas de risco e situações consolidadas há 40 ou 50 anos em que é impossível localizar o parcelador: cada caso é um caso.”
“Hoje a regularização fundiária está em foco. O governo federal está empenhado nisso, o estadual também, e os municípios vêm sendo acionados pelo Ministério Público, em ação civil pública, para regularizar. A iniciativa da ANOREG/SP está corretamente sintonizada com este momento em que as autoridades se voltam para a questão da regularização, por isso tem tudo para dar bons resultados.”
Ubatuba
Valdemar César Boteon
(12) 3832-3266
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