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São
Paulo, 18/12/2007
ANOREG-SP sob nova
direção:
Compromisso com a unificação da
classe, a gestão participativa, e a ocupação de importantes espaços
políticos
A registradora de Diadema, Patricia Ferraz,
concede sua primeira entrevista como presidente da Associação dos Notários e
Registradores do Estado de São Paulo para o triênio 2008/2010, depois de uma
disputa eleitoral histórica e incontestável vitória por 295 votos da chapa
Unificação contra 67 da chapa Integração.
“Nenhuma proposta vai prejudicar qualquer
colega, seja ele de que natureza for, concursado ou não, mais novo ou mais
antigo na carreira”.
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P – A senhora teve uma votação maciça em todo o estado de São
Paulo. Qual a avaliação que faz desse resultado tão expressivo?
Patricia Ferraz – Sendo absolutamente honesta, não esperava que
ganhássemos com uma diferença tão grande – afinal, fomos surpreendidos pela
forma pouco transparente de convocação dessa eleição. Ficamos sabendo do
edital alguns dias depois de ter sido publicado. Portanto, desde a decisão
do grupo de constituir uma chapa, até a data da eleição, tivemos apenas três
semanas. Foi um tempo muito curto, mas tínhamos absoluta confiança na chapa
que conseguimos formar, sem demérito algum para os nossos colegas da chapa
Integração. Se considerarmos que os presidentes de todas as entidades
estaduais compunham nossa chapa – Unificação –, já saímos com certa
vantagem, uma vez que todos são pessoas conhecidas e têm um histórico de
trabalho em favor da classe. Muitos deles trabalharam pela privatização dos
serviços extrajudiciais e são os responsáveis efetivos pela inserção do
artigo 236 na Constituição federal. Todos nós somos um pouco devedores
desses colegas que estão há mais tempo na carreira. É certo que tínhamos
esse patrimônio de reputação, no entanto, a vitória foi uma grata surpresa.
Fiquei muito satisfeita pela quantidade de votos que recebemos – 81,45% –,
bem como pela confiança que a classe manifestou em nossos nomes, uma vez que
todos os votantes, sem exceção, são pessoas preparadas dignas e sérias.
Nosso compromisso é de que tudo será feito e decidido com transparência,
respeito e dignidade. Só me resta agradecer, publicamente, a todos os que
nos confiaram esses votos, que por sua vez conferem a legitimidade de que
precisamos para a condução da Associação de Notários e Registradores do
Estado de São Paulo nos próximos três anos.
P – Como a senhora se sente sendo uma mulher a ocupar a
presidência de uma Anoreg tão importante como a do Estado de São Paulo?
Patricia Ferraz – Acho que me sinto da mesma forma como qualquer
homem se sentiria, ou qualquer outra mulher eleita dentro de um processo de
intensos debates, com a participação de tantos colegas e um número maciço de
votos, ou seja, com um peso nos ombros proporcionado pela responsabilidade
de toda essa legitimidade atribuída à chapa Unificação. O fato de ser mulher
não muda muito as coisas. Acho bacana que seja uma mulher, mas, no
dia-a-dia, isso não vai fazer nenhuma diferença. Honestamente, não faço essa
distinção.
P – Qual o peso que as propostas de campanha tiveram na votação?
Patricia Ferraz – Acho que as propostas tiveram um peso grande, mas a
forma como esse processo teve início também provocou um sentimento muito
claro de indignação na categoria. Ao lado dos ataques injustos que notários
e registradores sofremos ao longo deste ano, o início do processo eleitoral
serviu para que nos reuníssemos novamente em torno de propósitos comuns,
quais sejam, queremos ser respeitados, queremos prestar serviços com melhor
qualidade e queremos estar fortalecidos para enfrentar o dia-a-dia. Hoje
podemos sofrer um ataque, amanhã podemos colaborar com qualquer setor.
Institucionalmente, é importante que estejamos com uma posição coesa e
internamente equilibrada. As
propostas expostas no
site da campanha contaram muito porque foram extraídas de aspirações comuns
a notários e registradores. Nenhuma delas tem o propósito de prejudicar
qualquer colega, seja ele de que natureza for, concursado ou não, mais novo
ou mais antigo na carreira. Todas as propostas procuram alcançar o bem de
todos, como a idéia de unificação da classe, de gestão participativa, de
integração das idéias da capital e do interior, de criação da loja virtual e
de ocupação de importantes espaços políticos – qual o colega que não quer
isso? Portanto, acho que os notários e registradores de São Paulo passaram
uma mensagem claríssima de apoio a essas propostas. É como se dissessem: “é
isso que queremos, é disso que precisamos”. E é isso que vamos fazer. Nenhum
colega sairia de seu cartório e percorreria até 300 km para votar se não
estivesse interessado em participar desse novo processo, dessa nova era dos
registros e notas do estado de São Paulo e do Brasil.
“É bom que todos saibam que a Anoreg-SP está retirando seu time do
campo técnico, ela vai jogar no campo político no qual estamos perdendo por
W.O.”
P – Os institutos apoiaram decididamente a chapa Unificação. Como
a Anoreg vai se relacionar com os diversos interesses que esses institutos
representam?
Patricia Ferraz – Tomamos posse ontem e, hoje, já estive com parte da
diretoria da Anoreg-SP para saber como estão os projetos da entidade, para
que possamos bem administrá-la, de acordo com as deliberações da nossa
diretoria a partir de agora. Já conversei com todos os presidentes de todos
os institutos que compõem a chapa e estamos com uma agenda propositiva muito
interessante. No que diz respeito ao papel da Anoreg-SP frente aos
institutos, a posição será a seguinte. Como presidente, não vou participar
de nenhuma reunião que diga respeito a qualquer especialidade sem estar
acompanhada do presidente do instituto respectivo. Se o assunto disser
respeito a registro de imóveis e notas, por exemplo, os principais
participantes dessas reuniões serão os diretores de imóveis e de notas. A
Anoreg-SP é a entidade política que, nesse momento, emprestará o apoio
político de toda a categoria para esses dois segmentos. De minha parte, não
vou entrar em assuntos técnicos. A Anoreg é uma entidade política e a chapa
foi eleita para ocupar esse espaço. Existe um vácuo político que as demais
entidades tiveram de ocupar e que acabou por provocar cisão na classe e nos
segmentos. Isso é inadmissível. É bom que todos saibam que a Anoreg-SP está
retirando seu time do campo técnico, ela vai jogar no campo político no qual
estamos perdendo por W.O. (numa competição esportiva, significa perder em
razão da ausência total ou parcial em campo, ou por abandono do campo. NE).
“Somos contrários a qualquer exposição de nossas bases de dados porque
isso gera insegurança sistêmica em desfavor da sociedade e é absolutamente
contrário aos interesses de notários e registradores”
P – Qual sua opinião sobre a centralização de dados, um tema que
agitou os debates durante a campanha?
Patricia Ferraz – Minha opinião é a mesma que externei em
pronunciamento público pela web, e que é a de toda a chapa Unificação. Somos
contrários a qualquer centralização de dados, a qualquer exposição de nossas
bases de dados porque reputamos que isso gera insegurança sistêmica em
desfavor da sociedade e é absolutamente contrário aos interesses de notários
e registradores. A centralização de dados vulnera a guarda preciosa que eles
fazem dessas informações. É uma questão de honra: não falamos de
centralização dos dados e, para que não haja nenhuma dúvida, deixemos claro
o seguinte. Todas as vezes que falamos de sistemas, por exemplo, do protesto
ou do registro de imóveis, referimo-nos a buscas de informações por meio do
banco de dados light. O banco de dados light do registro de imóveis, por
exemplo, contém referências indicativas de buscas, quais sejam os números de
CPF e CNPJ, que constituem parâmetros utilizados em qualquer negócio que se
faça. Portanto, é uma referência facilmente verificada e um sistema que
protege tanto o titular do direito, que não expõe seu patrimônio de família
e de vida, quanto o próprio registrador, que cuida dessa base de dados. No
registro de imóveis, o que tem funcionado muito bem na capital de São Paulo
graças ao
Ofício Eletrônico
desenvolvido pela Arisp é que os registros de imóveis conveniados a esse
sistema encaminham um arquivo do qual constam os números do CPF ou CNPJ de
todos os titulares dos direitos inscritos nos respectivos cartórios. O
consulente entra no sistema, digita o CPF ou o CNPJ, descobre o competente
registro de imóveis no qual existe algum direito registrado e entra em
contato com esse cartório, ou com mais de um se for o caso. Trata-se apenas
de um índice de busca de cartórios. O interessado na pesquisa não entra na
base de dados de cada registro de imóveis porque isso é sagrado, deve ser
guardado e mantido pelo registrador de imóveis. O mesmo ocorre com o sistema
do protesto de títulos: são fornecidos apenas o CPF, CNPJ e o RG, uma vez
que de acordo com a lei pode-se protestar com os números desses documentos.
O importante é que os parâmetros de busca sejam os mínimos possíveis para
que não haja exposição das pessoas cujos direitos estão inscritos, cujas
dívidas estão protestadas, etc. Embora alguns procedimentos de centralização
de dados possam ser interessantes em outros tipos de serviços públicos, nos
serviços extrajudiciais essas formas de consulta precisam ser reduzidas ao
seu objeto específico. Por exemplo, não podemos abrir indiscriminadamente os
bancos de dados para buscas patrimoniais de pessoas que estão sendo
criminalmente perseguidas. É preciso preservar a privacidade das pessoas,
até mesmo por questões de segurança pública. Precisamos ter princípios e
conceitos muito bem determinados para que não tenhamos do que nos arrepender
no futuro.
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P – A senhora quer dizer, então, que a base de dados não traz
nenhum elemento importante sobre a situação jurídica da pessoa pesquisada,
mas vai indicar apenas em que cartório existe a ocorrência?
Patricia Ferraz – Exatamente. Quem informa a situação de
protestabilidade de determinada pessoa física ou jurídica? O tabelião de
protestos. Quem informa a situação jurídica de um bem imóvel? O registrador
de imóveis. Quem informa sobre determinado bem móvel? O cartório de títulos
e documentos. E sobre determinada pessoa jurídica? O registro civil de
pessoas jurídicas. Sobre nascimento, óbito e casamento? O registro civil de
pessoas naturais. Sobre inventários, partilhas e testamentos? O tabelião de
notas. A retenção, guarda e responsabilidade pelas informações fornecidas
continuam com os delegados do serviço público. Os sistemas que estão sendo
desenvolvidos e implementados em São Paulo pela
Arisp , pelo
Instituto de Estudos de Protesto
e pelo
CNB-SP apenas
concentram um índice mínimo de buscas, um facilitador. Graças a esse sistema
a Arisp já forneceu mais de 1,4 milhão de informações para o poder público,
graciosamente. Sem esse facilitador, todos os cartórios do estado de São
Paulo teriam de prestar 1,4 milhão de informações negativas/ano sem qualquer
remuneração. A pergunta é: isso é viável para qualquer cartório do estado de
São Paulo? Claro que não. Somente a união de esforços, a concentração de
energia e de recursos para investimento em mecanismos de redução dos nossos
elevados custos operacionais pode proporcionar determinados facilitadores
para todos nós bem como para a sociedade que precisa dos serviços que
prestamos.
P – O projeto Integra Brasil é da Anoreg-SP?
Patricia Ferraz – No próximo dia 18, terça-feira, às 14 horas, a
diretoria da Anoreg-SP fará sua primeira reunião, para receber todas as
informações sobre esse projeto e deliberar a respeito. Temos notícia de que
o Integra Brasil é um projeto desenvolvido pela Anoreg-SP, que também é
detentora do código-fonte. Portanto, vamos analisar detalhadamente qual o
objetivo e formato do Integra Brasil, e se ele se harmoniza com os demais
programas que estão em andamento de modo exitoso em todo o estado. Se assim
for, o projeto terá continuidade; caso contrário, será arquivado. Essa
decisão compete de fato à Anoreg-SP, que é a detentora do código-fonte. Se
decidirmos pela continuidade do Integra Brasil, tomaremos todas as medidas
para que o programa tenha êxito. Se optarmos pelo abortamento desse projeto,
a Anoreg-SP se encarregará de entrar em contato com as demais entidades com
as quais foram celebrados convênios para comunicar sua decisão política e
verificar o que é possível fazer para ajudar os outros parceiros.
P – A eleição em São Paulo repercute em todo o Brasil, pela
pujança econômica, cultural e social do estado. Como a senhora vê a
participação da Anoreg-SP na Anoreg-BR? Quais são os interesses que a
senhora pretende defender nesse fórum?
Patricia Ferraz – A Anoreg-SP faz parte da Anoreg-BR e contribui para
a manutenção dessa entidade, que tem uma importância política e
representativa muito grande. No estado de São Paulo, estamos começando um
processo de revisão de nossa representação institucional. Conversei com
vários membros da diretoria e nossa posição é unânime no sentido de que a
Anoreg-BR deveria ter um processo de representação institucional como esse
que estamos implantando em São Paulo. Quem representa o registro de imóveis
na Anoreg-BR é o presidente da entidade nacional de registro de imóveis, sem
demérito algum a qualquer outro colega que não ostente essa condição. É
apenas uma questão de legitimidade. Eu, Patricia Ferraz, não tenho a
representatividade que o presidente do Irib tem perante os outros colegas
para falar de registro de imóveis. Isso se aplica ao protesto, a notas,
títulos e documentos, pessoas jurídicas e registro civil. É importante que a
Anoreg-BR ocupe o mesmo papel que estamos pretendendo desempenhar no estado
de São Paulo, de representação política nos espaços convergentes entre as
especialidades.
“Devemos fortalecer cada uma das especialidades. No entanto, as soluções
somente serão encontradas se estivermos suficientemente unidos e coesos para
remar na mesma direção”
P – O papel das especialidades foi outra questão que agitou os
debates. Se houver divergência entre as especialidades, e elas ocorrem
naturalmente, como a Anoreg-SP vai atuar?
Patricia Ferraz – É difícil falar do futuro porque não conhecemos os
problemas com os quais podemos nos deparar, mas vamos falar do que já
existe. Há divergências entre determinadas especialidades e do pouco que
conversei e participei da busca de soluções, pude depreender o seguinte.
Numa situação de desconforto, por conta de uma decrescente prestação de
serviços, todas as especialidades se digladiam. Se todos trabalhamos para
garantir o sustento de nossas famílias, precisamos cuidar dos nossos
serviços. Todas as vezes que uma especialidade avança sobre a outra, ou
pretende fazê-lo, temos problemas. O que fazer de imediato, por exemplo, no
que diz respeito a títulos e documentos que tem sofrido uma baixa nos seus
serviços? Existe algo que me parece seja uma vocação natural de RTD que é se
constituir num grande arquivo público de documentos privados. Isso não tem
sido completamente possível em razão dessa publicidade ilimitada que o RTD
tem, graças a interpretações doutrinárias e jurisprudenciais com as quais
não concordo. Acho importante que seja feita uma alteração legislativa.
Devemos fortalecer cada uma das especialidades. A melhor forma de se apagar
incêndios é jogar água fria em determinadas fervuras. O RTD padece as
conseqüências de seus serviços estarem em baixa? Então vamos buscar novas
atribuições. Foi exatamente o que aconteceu, no caso de notas, com a lei
11.441/07. Os notários passaram a sofrer o decréscimo dos seus serviços com
a crescente utilização de instrumentos particulares feitos pelos bancos.
Agora, a possibilidade de se fazer inventários, partilhas, separações e
divórcios consensuais nos tabelionatos de notas conferiu certo respiro para
essa especialidade. Acho que é isso que temos de fazer. No entanto, essas
soluções somente serão encontradas se estivermos suficientemente unidos e
coesos para remar na mesma direção.
“As regras e os mecanismos de ingresso e remoção precisam ser melhorados.
Vamos todos trabalhar para isso! Mas, no que me diz respeito, defender
qualquer medida que ponha em risco a imagem da categoria, jamais”
P – A senhora é contra ou a favor do concurso público? Na chapa
Unificação existe consenso a esse respeito?
Patricia Ferraz – Não conheço ninguém que seja contra concursos na
chapa Unificação, como ninguém em sã consciência poderia sê-lo. Ao prestar
um serviço público queremos ser bem remunerados e respeitados, por isso a
porta de entrada para a carreira tem de ser aberta e transparente. Começamos
a trabalhar para esse consenso já durante a campanha. Ainda que não
saíssemos vencedores nessa disputa, esse problema teria de ser enfrentado.
Como as coisas estavam colocadas até ontem na carreira? Havia uma idéia de
que nossos colegas da Associação dos Titulares de Cartório, ATC, eram os
defensores quase exclusivos dos concursos públicos e que o resto da
categoria não contaria com essa defesa em outras entidades. Isso não é
verdade. Os membros da nossa diretoria vão participar de reuniões com os
institutos do estado de São Paulo em razão de eles terem desempenhado, até
aqui, um papel fundamental na defesa do concurso público. No entanto,
entendemos que esse assunto tem de ser debatido dentro de casa e essa casa é
a Anoreg-SP. Vamos criar uma comissão de concurso público, da qual todos
poderão participar para defender suas posições. É bem verdade que existem
aqueles que defendem interesses particulares específicos, mas é importante
que cada um entre nessa sala de discussão institucional para defender o que
é melhor para a categoria e para a sociedade. É fundamental que esta
categoria tenha força e respeito no seio social. Amanhã posso estar
aposentada, mas quero que meu direito de propriedade seja guardado por um
registrador de imóveis competente, honesto e preparado, como também quero
procurar um tabelião de notas que saiba orientar-me juridicamente. Quero ter
tranqüilidade e paz social. Para isso temos de ter apaziguada essa questão
dos concursos públicos. Acho que todos estão dispostos a abrir mão de suas
posições mais radicais para que possamos chegar a uma situação de acomodação
e a partir daí progredir institucionalmente.
P – A senhora é contra ou a
favor da
PEC 471, que dá nova
redação ao parágrafo terceiro do artigo 236 da Constituição Federal, para
efetivar os atuais substitutos dos serviços notariais e registrais sem
concurso público?
Patricia Ferraz – Sou contra. Do jeito que essa proposta de emenda à
Constituição foi exposta no Congresso nacional não há como ser favorável a
ela. Tenho o maior respeito por colegas de outros estados que estão à frente
de serviços de registros e de notas há anos, bem como tenho amigos nessa
condição, mas falo com a experiência de alguém que já prestou três concursos
públicos. Entrei na USP por concurso público, uma vez que vestibular é um
dos mais disputados concursos; fui promotora de justiça por concurso público
de provas e títulos; e sou registradora de imóveis por concurso público de
provas e títulos. As regras e os mecanismos de ingresso e remoção precisam
ser melhorados. Vamos todos trabalhar para isso! Mas, no que me diz
respeito, defender qualquer medida que ponha em risco a imagem da categoria,
jamais.
P – A respeito dos concursos públicos, a composição paritária de
notário. registrador, representante do Miistério Público, advogado e
magistrado está claramente definida na lei. A Anoreg-SP pretende
articular-se com o poder Judiciário para melhorar as regras do concurso
público?
Patricia Ferraz – Isso já começou a ser feito. No ano passado, o
Conselho Nacional de Justiça, CNJ, manifestou preocupação a respeito da
multiplicidade e diversidade de editais que têm sido publicados em todo o
Brasil. Eu tive oportunidade de verificar quais as novidades positivas e os
pontos críticos desses editais. Mas esse foi um trabalho que fiz no Irib. É
preciso que tudo isso seja debatido na comissão de concurso público que
vamos criar e que as conclusões sejam expostas e submetidas ao crivo da
categoria no estado, para que a Anoreg-SP tenha legitimidade bem como para
deixar clara a posição de São Paulo a respeito dos concursos e,
eventualmente, encaminhá-la, à Anoreg-BR e ao CNJ.
“Uma entidade séria e comprometida com o avanço institucional não pode
desprezar a importância de um fundo que é o grande garantidor de uma renda
mínima e imprescindível para a boa prestação dos serviços pelos
registradores civis”
P – Há cartórios com dificuldades econômicas. O que a Anoreg
pretende fazer para ajudá-los na boa prestação dos serviços e na melhoria de
suas receitas?
Patricia Ferraz – Várias das nossas
propostas de campanha
vão influenciar diretamente na renda dos cartórios. Todas as propostas que
dizem respeito à unificação de esforços para a prestação dos serviços e à
redução de custos operacionais vão acabar por repercutir positivamente na
remuneração dos nossos colegas. É o caso da loja virtual, que pode obter
excelentes descontos na compra de computadores para os colegas de todo o
estado, por exemplo. O interessado conseguirá adquirir esse computador por
um preço bastante reduzido e a entidade ainda poderá ser minimamente
remunerada pelo fornecedor para juntar recursos e investir em outros
projetos. Outro exemplo. Somente em registro de imóveis temos 160 anos de
história, portanto existe um acervo em papel que precisa ser inserido nos
sistemas informatizados. Se cada serventia se encarregar de fazer isso
individualmente, teremos um gasto brutal. Um dos projetos que quero colocar
em pauta, o quanto antes, é a criação de um grupo técnico de trabalho para a
digitalização de toda a documentação existente nos cartórios. Esse trabalho
deverá ser conferido depois pelos escreventes de cada serventia. A formação
e qualificação de profissionais para a inserção dos dados de todas as
serventias do estado de São Paulo em sistemas eletrônicos representará uma
economia extraordinária para os colegas, e possibilitará que os serviços
sejam prestados de forma mais rápida e segura. Além de reduzir os gastos dos
colegas com o aprimoramento de seus serviços, vamos agregar valor à imagem
do notário e do registrador do estado de São Paulo.
P – Outro tema muito agitado durante a campanha diz respeito ao
fundo do registro civil, que estaria correndo risco com as flutuações
políticas que sua disputa representava. Qual será a posição da Anoreg-SP
sobre isso?
Patricia Ferraz – Nossa posição é de absoluto respeito em relação ao
fundo do registro civil. É muito claro para nós que a categoria depende de
cada um dos seus integrantes, sejam eles concursados ou não, tenham eles
ingressado na carreira há pouco tempo ou há cinqüenta anos. O trabalho de
cada um, desempenhado com excelência, vem em favor de toda a categoria bem
como o serviço incorreto, impreciso e descuidado de um colega pode afetar a
imagem de toda a classe. Uma entidade séria e comprometida com o avanço
institucional não pode desprezar a importância de um fundo que é o grande
garantidor de uma renda mínima e imprescindível para a boa prestação dos
serviços pelos registradores civis. É importante que os novos colegas saibam
– especialmente aqueles que ingressaram na carreira por meio do segundo,
terceiro e quarto concursos –, que o grande defensor da criação do fundo do
registro civil no estado de São Paulo foi Cláudio Marçal Freire. Ele foi dos
primeiros a defender uma legislação que garantisse a remuneração dos colegas
do registro civil, ao lado dos colegas da
Arpen como Antônio
Guedes Netto; batalhou para isso junto aos colegas do protesto e do registro
de imóveis; lutou pelo fundo na Assembléia Legislativa. Portanto, é
importante que esse registro seja feito de público. Cláudio Marçal Freire
trabalhou tanto na Constituição federal, pelo artigo 236, como na questão do
fundo do registro civil. Os colegas do registro civil merecem saber quem foi
o pai dessa idéia. Cláudio é um colega absolutamente comprometido com a
classe e tem demonstrado isso de várias formas.
Confira a composição da chapa Unificação, que vai administrar a
ANOREG-SP no próximo triênio
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Presidente: Patricia André de Camargo Ferraz (RI, RTD e RCPJ de Diadema)
Vice-presidente: José Emygdio de Carvalho Filho (RCPN de Indaiatuba)
1ª Secretária: Jussara Citroni Modaneze (Notas de São Paulo)
2º Secretário: Adauto Faria da Silva (RCPN de Diadema)
1º Tesoureiro: George Takeda (RI de São Paulo)
2º Tesoureiro: André de Azevedo Palmeira (RI, TD e CPJ de SBCampo)
Diretor de Notas: Paulo Tupinambá Vampré (Notas de São Paulo)
Diretor de Registro de Imóveis: Flauzilino Araújo dos Santos (RI de São
Paulo)
Diretor de Protesto: José Carlos Alves (Protesto de São Paulo)
Diretor de RTD e CPJ: Paulo Rego (RTD e RCPJ de São Paulo)
Diretor de Registro Civil: Rodrigo Valverde Dinamarco (RCPN e Notas de São
Paulo)
Conselho Fiscal
1. Lincoln Bueno Alves (RI, RTD, RCPJ e Protesto de Franca)
2. Cláudio Marçal Freire (Protesto de São Paulo)
3. Sérgio Jacomino (RI de São Paulo)
Suplentes
1. Odélio Antonio de Lima (RCPN e Notas de São Paulo)
2. Marcelo Santana de Melo (RI, RTD, RCPJ de Araçatuba)
3. Izaías Gomes Ferro Junior (RCPN de Lins)
Fotos da eleição na sede da ANOREG-SP: 13 de dezembro de 2007
http://www.flickr.com/photos/iacominvs/sets/72157603474427015/
(Fotos Carlos Petelinkar)
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