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O que esperar do mercado imobiliário em 2026?

Publicado em: 05/01/2026
Especialistas analisam cenários político, econômico e social para apresentar previsões para o ano

Possibilidade de queda da taxa Selic, inflação em baixa, flutuação do dólar, mudanças no comportamento dos consumidores, consequências das mudanças no Minha Casa, Minha Vida e resultados obtidos em 2025 animam especialistas do mercado imobiliário para este ano.

Em entrevista para o InfoMoney, o economista e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, avaliou que 2026 pode ser um bom ano para comprar imóveis prontos ou com entrega próxima. Ele destaca que o desaquecimento da demanda, devido à taxa de juros ainda elevada, pode pressionar as incorporadoras e favorecer os compradores por meio de bons descontos. Além disso, diante da possibilidade de recuo da Selic, será possível portabilizar a dívida no futuro.

Ainda para o InfoMoney, o planejador financeiro CFP e especialista em investimentos Jeff Patzlaff sinalizou, por sua vez, não ver sentido em esperar a Selic abaixar, "uma vez que, quando a taxa de juros cai, os imóveis tendem a valorizar". "Isso acontece porque mais pessoas conseguem crédito, a demanda aumenta e os vendedores passam a cobrar mais caro", afirmou.

Apesar disso, um relatório do Santander citado em matéria da Folha de S. Paulo indicou que os juros elevados não impactaram a demanda por imóveis, que se mostrou alta no segmento voltado ao Minha Casa, Minha Vida - que não sofre influência da Selic e foi ampliado recentemente pelo Governo Federal - e no segmento de altíssimo padrão, tradicionalmente mais resistente a juros altos.

Esse movimento contribuiu para que o setor imobiliário obtivesse o melhor desempenho na Bolsa de Valores em 2025. A alta acumulada do índice que reúne empresas do setor chegou a 73,5%, segunda maior valorização desde a criação do indicador, em 2008. A empresa líder no setor de alto padrão, JHFS, foi quem mais acumulou aumento nesse período: 131,5%. Trisul (120,4%), Cury (113,2%), Tenda (107,7%) e Cyrela (97,8%) completam os cinco primeiros.

Essa resiliência do mercado imobiliário em meio aos juros altos e à incerteza econômica mundial também foram temas de um artigo publicado pelo vice-presidente do Secovi-Rio, Leonardo Schneider, no portal Imobi Report. Como pontos de destaque para 2026, ele sinaliza o aumento do valor máximo dos imóveis financiáveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), os novos modelos de condomínios lançados pelas incorporadoras nas grandes cidades - com áreas de lazer compartilhadas e ampliadas e soluções sustentáveis - e o crescimento na busca por unidades mais compactas. "A combinação de ajustes regulatórios, maior confiança do consumidor e evolução dos modelos de moradia indica que 2026 pode marcar o início de um novo ciclo de crescimento", diz.

Mas o Secovi-SP também acende alguns sinais de alerta a serem observados em 2026. A volatilidade dos custos dos materiais de construção e a escassez de mão de obra podem indicar significativos compromissos operacionais.

O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que passará por um momento de transição até o final de 2026, é outra questão a ser observada.
10 expectativas para 2026

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) realizou um webinar em novembro de 2025 para debater as perspectivas para este ano. Ao apresentar a pesquisa realizada em conjunto com o Grupo Brain, foram destacadas algumas mudanças no perfil dos consumidores e apontadas dez tendências do mercado para 2026.

Ao avaliar quais benefícios os moradores desejam nos condomínios, três escolhas lideram com folga: piscina, salão de festa e academia. Já em faixas de renda mais baixas (até R$ 5 mil por mês), o playground é a principal exigência. 

Com relação à compra de um imóvel, a maior dificuldade para pessoas de 22 a 44 anos é o valor da entrada. Para quem possui de 45 a 79 anos, o maior problema passa a ser a instabilidade econômica do país. Apesar disso, os mais jovens estão mais propensos a comprar imóveis nos próximos 24 meses (50% dos entrevistados na faixa de 22 a 28 anos e 40% das pessoas entre 29 e 44 anos). Além disso, 56% dos consumidores estão dispostos a pagar mais caro por um imóvel mais sustentável.

O estudo também mostrou que uma a cada cinco pessoas mora de aluguel - aumento de 27% entre 2010 e 2022 - e 80% da população entre 25 e 39 anos vê essa modalidade como uma boa opção de moradia, um índice menor do que o de gerações anteriores.
 
A partir de todos esses dados, o estudo levantou as tendências do mercado para o próximo ano:
  1. Inflação em queda e dólar mais fraco, com posterior redução da taxa de juros;
     
  2. Menor tração da economia (estimativa de crescimento de 1,5% do PIB) e cenário político disputado devido às eleições pode gerar maior volatilidade, freando novos lançamentos. Mercado seguirá aquecido devido à baixa ocupação e à intenção de compra elevada;
     
  3. Manutenção da força do Minha Casa, Minha Vida em todas as faixas;
     
  4. Reforma tributária pode antecipar decisão de compra de alguns consumidores, mas os imóveis de investimento e de ticket baixo continuarão com uma perspectiva positiva;
     
  5. Aumento da taxa de locação e valores de aluguel devido ao descompasso entre o preço de venda e a renda das famílias nas capitais. Isso aumentará a demanda de permanência em longo prazo, com a de curto prazo substituindo o parque hoteleiro mais antigo;
     
  6. Menor metragem em imóveis de luxo e superluxo, mas com maior qualidade geral do projeto e mais ênfase em localização;
     
  7. Valores ou condições de terreno possivelmente com maior margem de negociação;
     
  8. Grande procura pelo mercado de capitais. Empresas menos organizadas devem reduzir ou descontinuar suas atividades;
     
  9. Maior crescimento de projetos entre marcas em segmentos altos, sempre em busca de se diferenciar e ingressar em nichos pouco explorados, como aquele para pessoas mais velhas;
     
  10. A depender do resultado das eleições, pode haver mais ativação de negócios ou manutenção do ritmo atual. Último trimestre do ano não deve concentrar negócios.
Fonte: RIB
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